Instituto Pensar - CPI aprova terceira convocação de Marcelo Queiroga

CPI aprova terceira convocação de Marcelo Queiroga

por: Iara Vidal


A CPI da Pandemia no Senado aprovou em reunião desta quinta-feira (7), requerimento para nova convocação do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Este será o terceiro depoimento dele à comissão. O requerimento foi apresentado por Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

O presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz, atualizou a agenda do colegiado: na segunda-feira (18), será ouvido o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga; na terça (19), Renan Calheiros (MDB-AL) fará a leitura do relatório final. Na quarta-feira (20), a CPI votará o documento. 

O presidente da comissão criticou a postura de Marcelo Queiroga ao ser infectado pelo coronavírus durante viagem aos Estados Unidos. Segundo Aziz, o ministro compartilhou em uma rede social o comentário de um internauta que questionava a eficácia das vacinas.

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"No dia em que foi acometido de covid, o ministro repostou uma mensagem de uma pessoa dizendo: ?O senhor não foi vacinado? Tomou as duas doses e pegou covid mesmo assim??. Ministro Queiroga, a gente não esqueceu que o senhor repostou isso. Se o senhor passou 15 dias nos Estados Unidos e já está aqui no Brasil é porque teve a oportunidade de tomar a vacina. Por isso o senhor está vivo?, disse Aziz.

A princípio essa seria a última reunião com coleta de depoimentos pela comissão. Foi ouvido Tadeu Frederico Andrade, cliente da Prevent Senior. Em seguida a CPI iniciou a oitiva com Walter Correa de Souza Netto, ex-médico da empresa operadora de planos de saúde.  

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Prevent pressionava médicos a prescrever tratamento precoce, diz depoente

Antes do intervalo da reunião, o médico Walter Correa de Souza Neto confirmou à CPI da Pandemia que a Prevent Senior pressionava os profissionais a prescrevem o "tratamento precoce? para os pacientes.

Em resposta ao relator, Renan Calheiros (MDB-AL), o médico relatou que a chefia orientava a prescrição e controlava os números de kits de medicamentos entregues.

Médico critica ?paliativismo? mas diz que Prevent ?não é Auschwitz?

Antes do intervalo, Walter Correa de Souza Neto criticou a decisão da Prevent Senior de incluir na equipe de enfermaria dos hospitais um profissional paliativista. O tratamento paliativo deve ser adotado apenas em pacientes que não têm perspectiva de cura. Questionado por Otto Alencar (PSD-BA), o médico classificou como "macabra? a decisão da operadora de saúde.

"A Prevent não é Auschwitz. Não é todo mundo que eles vão "paliar?. Mas às vezes, pela gerência de recursos que é extremamente rígida, isso muitas vezes induz o médico ao erro. É um erro que a gente costuma ver com acontecer com uma certa frequência. Nem sempre intencional, mas essa cultura provoca isso. Você colocar um paliativista no pronto atendimento é uma coisa que provavelmente vai levar a decisões precipitadas ou pressões. É meio macabro, na minha visão?, disse.

Rogério Carvalho diz que depoente reforça denúncias contra a Prevent

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirmou que o depoimento do médico Walter Correa de Souza Neto confirma as denúncias contra a operadora de saúde Prevent Senior, como a imposição de "tratamento precoce?, ministração de tratamento paliativo a pacientes que poderiam sobreviver, alteração de prontuários e fraudes em atestados de óbito.

Omar Aziz apresenta relato sobre a crise em Manaus

Durante o depoimento do médico Walter Correa de Souza Neto, que denunciou as práticas da operadora de saúde da Prevent Senior, o presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou um relato da professora Jeniffer Pereira sobre o colapso da saúde vivido em Manaus no começo deste ano, durante a crise no fornecimento de cilindros de oxigênio para os pacientes de covid-19.

Médico ignora por que atestado de óbito de Regina Hang não indica covid

Em resposta a Renan Calheiros (MDB-AL), o médico Walter Correa de Souza Neto disse que não sabe a razão de não constar covid-19 no atestado de óbito de Regina Hang. Ela era mãe do empresário Luciano Hang e ficou internada no hospital Sancta Maggiore, da rede Prevent Senior.

Causa de morte de Anthony Wong foi omitida, diz médico

O ex-funcionário da Prevent Senior disse que o motivo da morte de Anthony Wong foi de fato omitido. Segundo o médico Walter Correa de Souza Neto, seria ruim para a política da empresa que todos soubessem que Wong ? um pediatra e toxicologista se notabilizou por defender o "tratamento precoce? ? morreu de covid-19. A testemunha, que trabalhou na empresa por 7 anos, negou ainda ter tido acesso ao prontuário da vítima de forma ilegal. 

Depoente diz que denúncias contra Prevent ?não prosperam?

Questionado por Renan Calheiros (MDB-AL), Walter Correa de Souza Neto disse que denúncias contra a Prevent Senior não costumavam prosperar nos Conselhos Regional (Cremesp) e Federal de Medicina (CFM). Para o profissional de saúde, a categoria tinha "muito medo? de apontar irregularidades na operadora.

"Eu tentei fazer uma denuncia ao Cremesp na época. Mas as denuncias não podem ser anônimas, e a gente tinha muito medo. Existia uma coisa entre os médicos de que denúncias contra Prevent não prosperavam. A gente tinha muito cuidado para falar qualquer coisa. Dar materialidade a essas coisas é muito difícil. Como você vai provar? A gente tinha medo de não conseguir provar e de sofrer retaliações pesadas, como eu estou sofrendo?, disse.

Médico denuncia modelo de atendimento da Prevent Senior

O médico Walter Correa de Souza Neto explicou que o modelo de acolhimento da Prevent Senior era "absolutamente inadequado, talvez em alguns momentos até criminoso?. Segundo ele, o atendimento era feito por enfermeiros, que tinham acesso ao sistema de prontuários através da conta dos médicos.

"A imposição da empresa pela agilidade induzia os médicos as vezes a simplesmente deixar o atendimento a cargo do enfermeiro e ficar rodando os consultórios para carimbar e assinar. Alguns colegas chegavam ao absurdo de fazer carimbos extras e deixar com os enfermeiros.?

Médico relata que foi obrigado a retirar máscara

O médico Walter Correa de Souza Neto relatou que a falta de autonomia dos profissionais na Prevent Senior era tanta que não tinham autonomia nem para proteger a própria vida. Ele contou que, em certa ocasião, no início da pandemia, chegou a ser obrigado a retirar a máscara para não assustar os pacientes. Segundo o médico, a ordem partiu da Dra. Paola, a mesma que havia dito "prescreva cloroquina pra quem espirrar. Espirrou, dá cloroquina nele?, numa troca de mensagens apresentada à CPI pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) na reunião de ontem. 

?A gente sabia que era fraude?, diz médico sobre hidroxicloroquina

Walter Correa de Souza Neto disse que os médicos da Prevent Senior sabiam que o tratamento de pacientes da covid-19 com hidroxicloroquina não trazia os resultados prometidos e divulgados pela direção da operadora de saúde. Ele classificou como "fraude? o estudo desenvolvido pela empresa para justificar a prescrição da droga.

"Essa coisa de que ninguém vai a óbito e ninguém intuba, isso já era muito claro: a gente sabia que era fraude. Além de o estudo ser muito ruim já quando foi publicado em abril, eu internava paciente que havia tomado o kit. Eu acompanhava esse paciente depois pelo prontuário durante a internação e via esses pacientes irem a óbito. Mas eles [Prevent Senior] continuaram fazendo essa política de ?evangelização? de prescrever a medicação e às vezes induziam os médicos ao erro também?, afirmou.

Prevent Senior tinha um ambiente de trabalho hostil, afirma médico

Em resposta a Renan Calheiros (MDB-AL), o médico Walter Correa de Souza Neto relatou que a Prevent Senior tinha um ambiente de trabalho hostil, com clima de "lealdade e obediência?. Segundo ele, o termo não era mais utilizado, mas a cultura permaneceu. 

"Fui bombeiro militar e policial civil e não havia hierarquia tão rígida como o que acontecia na Prevent Senior. Era muitas vezes uma hierarquia baseada em assédio moral. Você se voltar contra qualquer orientação do seu superior, significaria em represálias importantes, talvez perder seu trabalho?.

Médico diz que Prevent já buscava reduzir custo antes da pandemia

O médico Walter Correa de Souza Neto disse que a busca da Prevent Senior pela redução de custos no tratamento de pacientes é anterior à pandemia de coronavírus. O profissional disse ainda que a empresa cerceava a autonomia médica e restringia a realização de exames.

"Era um modelo basicamente voltado para os custos, e não para o bem-estar que o paciente precisava. Algumas situações não são exclusivas da pandemia. São coisas que acontecem na Prevent de forma crônica e estão inseridas na cultura da empresa. Existe um pequeno número de médicos, muitas vezes evolvidos com a direção, que acaba até induzindo outros médicos ao erro. Pela imposição de não ter autonomia médica, não poder pedir determinado exame. Às vezes, você tinha que negociar com quem era seu superior para fazer determinada coisa e aquilo não era autorizado. Às vezes, o paciente evoluía com gravidade ao óbito. Isso era uma política antiga da empresa?, disse Walter Correa.

Médico desmente postagem de Bolsonaro sobre óbitos na Prevent

O relator Renan Calheiros (MDB-AL) lembrou que o presidente Jair Bolsonaro chegou a publicar em redes sociais resultados do tratamento precoce que vinha sendo feito pela Prevent Senior. Numa dessas postagens, em 28 de abril, Bolsonaro afirmou que não tinha havido nenhum óbito na Prevent naquele dia, o que foi desmentido pelo médico Walter Correa de Souza Neto. O relator classificou a informação como mais uma fake news do chefe do Executivo. 

Declarações de Bolsonaro podem ter influenciado pacientes, diz médico

Questionado pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), se as declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre o "kit covid? podem ter influenciado pacientes, o médico Walter Correa de Souza Neto disse que sim. Anteriormente, Renan exibiu vídeos em que Bolsonaro estimula o uso de medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina.

"Pode induzir as pessoas ao erro. É uma desinformação que pode fazer com que as pessoas deixem de tomar outras medidas. Acreditando que há um tratamento inicial eficaz, podem deixar de se proteger, evitar vacinas e outras condições que podem acabar levando a pessoa ao óbito?, afirmou o médico.

Ex-paciente nega ter sofrido ameaças da Prevent Senior

Questionado pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL), a testemunha esclareceu que nunca sofreu qualquer tipo de ameaça ou pressão de alguém da Prevent Senior depois que fez suas denúncias. Tadeu Frederico de Andrade explicou que continua sendo beneficiário do plano e faz acompanhamentos e consultas. 

?Eu não fui o único?, afirma ex-paciente da Prevent Senior

Tadeu Frederico de Andrade acredita que outros pacientes da Prevent Senior foram encaminhados para os chamados "cuidados paliativos?. Segundo parlamentares da CPI, a medida era adotada pela operadora de saúde para retirar pacientes dos leitos de UTI e reduzir custos.

"Pelo menos um caso. Uma das minhas filhas relatou que fez amizade com uma mulher que estava acompanhando a avó dela num leito de UTI próximo ao meu. Elas se encontraram várias vezes. Pelo que a gente sabe, essa senhora foi para cuidados paliativos e veio a óbito. Não posso generalizar, mas esse caso minha filha testemunhou. Eu não fui o único. Acredito que muitos mais tenham ido a cuidados paliativos?, disse Tadeu de Andrade.

Depoente diz que médicos tentaram convencer família a retirá-lo da UTI

Em resposta a Renan Calheiros (MDB-AL), Tadeu Frederico Andrade afirmou que sua família foi procurada por médicos da Prevent Senior para convencê-la de que ele deveria seria retirado da UTI e passar a ter apenas tratamentos paliativos. Segundo Andrade, os médicos informaram que seu caso não tinha mais solução, pois ele estaria com rins e pulmões comprometidos.

"O argumento foi de que seria mais confortável e digno para o paciente morrer com a bomba de morfina?, disse.

O depoente disse que os médicos só desistiram de removê-lo da UTI após os familiares ameaçarem procurar a Justiça e a mídia.

?Eles pagarão muito caro por seus crimes?, diz Renan

Renan Calheiros disse que os responsáveis pelo agravamento da pandemia de coronavírus no Brasil "pagarão muito caro por seus crimes?. O relator da CPI fez um balanço dos mais de 160 dias de trabalhos da comissão e criticou a ação de integrantes do governo federal durante a crise sanitária provocada pela covid-19.

"Estamos perto de 600 mil mortes. Um dos piores percentuais de letalidade no mundo. Uma triste necrópole. Vítimas indefesas da estupidez do governo federal. No que depender deste relator e desta CPI, eles pagarão muito caro por seus crimes?, afirmou.

Renan Calheiros disse que a comissão de inquérito "cumpriu seu papel?. Ele destacou que, no início dos trabalhos, apenas 6,6% dos brasileiros tinham a imunização completa. Hoje mais de 45% têm as duas doses da vacina.

"Esta CPI já deu certo. Evitamos a corrupção na aquisição de vacinas, forçamos a aceleração da vacinação, retiramos o governo da abulia mortal e soterramos o negacionismo medieval. Muitos tentaram rebaixar essa CPI. Esse debate nunca foi político. Sempre se deu em torno da defesa de valores civilizatórios, opondo opções elementares entre o bem e o mal?, disse.

Ex-paciente da Prevent disse ter obrigação de denunciar o que vivenciou

O ex-segurado da Prevent Senior informou aos senadores que ouviu o termo "tratamento paliativo? pela primeira vez numa reunião da CPI. A partir daí, foi incentivado a denunciar. Após fazer uma ressalva e elogiar a atuação de dezenas de profissionais de saúde que o atenderam, ele disse ser "testemunha viva da politica criminosa da corporação e de seu dirigentes?. Tadeu Frederico de Andrade disse que, tendo sobrevivido, tem a obrigação de denunciar os fatos graves que vivenciou. 

Andrade: tratamento paliativo é usado para eliminar paciente de alto custo

Em sua exposição inicial, Tadeu Frederico de Andrade relatou seu drama nos 120 dias em que ficou internado. Ele foi intubado duas vezes, teve pneumonia, passou por hemodiálise e traqueostomia, além de ter sofrido com outros problemas por consequência da covid-19.

O ex-paciente da Prevent Senior disse que sobreviveu porque a família dele lutou "contra uma poderosa organização? e não aceitou a imposição de tratamento paliativo ? prática adotada pela empresa para eliminar pacientes de alto custo, segundo ele. 

Com informações da Agência Senado



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